memória

vez em quando um tapa na memória
por janelas imaginárias retorna
num salto travesso ao passado
revisita velhos tropeços descalço e chora

vai indo assim, mudando como a estação
vendo o trem que passa no sentido oposto
meio torto, meio louco, intenso e profundo
um sermão vindo do futuro acertando o coração

flerta com o retrovisor, quer isso não
quem dera de volta ter o ouro sutil
cintilando no globo dos teus olhos
mas a lente só busca um tempo ilusório em vão

janela imaginária, que no peito declara
todo amor, ao que já foi e hoje descarta
vem com todo o charme do teu sabor
coloca sapatos, nos pés descalços, nunca mais sentir dor.

Victor Matheus